sábado, 16 de maio de 2009

O Tempo e o Marginal

O tempo é um marginal louco e doente
Preso em si próprio e sem temor
Gosta de folias e fode com seus parentes
E não goza, talvez seja tântrico
E perdido no tempo
E feio e fédido
E imprório para o horário
O tempo é um marginal vadío e seco
Castigado por ele próprio
O coitado nem teve tempo
E não pensa, acho que ele só é
E acho que ele é só
E sem tempo
Eu sou um marginal e seco e sem tempo
Talvez um pouco mais tarde
Talvez de novo
Quero ser o tempo quando crescer
E quando crescer acabará todos os tempos
Não consigo mais ouví-lo
Nem há músicas no meu pensamento
E não há gasolina suficiente para chegarmos ao futuro
Se é que ele existe
E talvez não exista para mim e nem para ninguém
E nem para o próprio tempo
Deve ter se cansado
Não ouve rock’n roll
E não dança com as garotas
Talvez o tempo seja um animal tímido
E chato e depressivo e não vai ao psiquiatra
E não toma drogas e não bebe cervejas
Talvez nem tenha um saca-rolha na mochila
Se é que ele usa saca-rolhas
Ou mochilas
Meu pai é um marginal, mas não é o tempo
Fode sem preservativos com pessoas que não são nossos parentes
Vai pegar HIV
Se o tempo tivesse um doença ele não aguentaria
Nem mesmo se fosse uma diarréia, uma infecção de cachorro quente
O tempo morreria e estaríamos todos sem tempo
Sem o marghinal vadío e seco
E sem agenda e sem calendário e sem relógio
E sem tempo

(Cátia Rodrigues)

3 comentários:

José Luís de Freitas disse...

Muito Bom Trevigno!
gostei do que li aqui. Prossiga

SJR 242 disse...

De um mini pulo no meu blog RAFA.
Sem comentários, vocÊ é f...

Juliana Dacoregio disse...

lindo poema... muito mesmo.